29/03/2017

Convivendo com sintomas (6)

Por Dr. Marco Mota

Um sintoma bastante comum que leva muitas pessoas a uma consulta médica com o especialista é o cansaço. Geralmente associado a problemas de coração, embora nem sempre seja o coração o órgão responsável por ele.
 
O primeiro desafio do médico é distinguir o tipo de cansaço, definindo exatamente o motivo do sofrimento do paciente. O cansaço nem sempre é expressão de falta de ar (que acompanha os principais problemas cardíacos). Muitas vezes o próprio paciente confunde fadiga com cansaço, e não representa a mesma coisa.
 
O cansaço fadiga significa mais sensação de desanimo e astenia (fadiga muscular). Pode acompanhar casos de depressão, e mesmo denotar situações de estresses motivado por excesso de trabalho físico ou intelectual, (representando o momento exato em que o corpo pede férias).
 
Costumo perguntar ao meu paciente que chega com esse tipo de reclamação, sobre a última vez em que esteve em férias. Devemos ficar atentos que uma programação de férias exaustiva pode até agravar essa sintomatologia, muitas vezes só atenuada quando férias repousantes são devidamente programadas.
 
O cansaço tendo como origem uma disfunção do próprio coração também é uma possibilidade concreta. Quase sempre denota uma falência importante deste órgão, e sua evolução para quadros mais graves pode ser muito rápida. Denota perda da função de bomba do coração, que pode ser interpretada como dificuldade de bombear devidamente a quantidade de sangue necessária ao funcionamento do organismo como um todo, ou mesmo por dificuldade de enchimento de suas cavidades com imediata repercussão aos dois pulmões (daí vem o cansaço – falta de ar).
 
Em pessoas jovens está muito ligado às doenças das válvulas cardíacas, especialmente aórtica e mitral. Também em nosso meio devemos pensar na possibilidade de acometimento das fibras cardíacas pela Doença de Chagas, ou mesmo as denominadas doenças do músculo cardíaco de etiologia indeterminada.
 
Nos adultos e idosos aparecem outras doenças como hipertensão arterial, e doença dos vasos coronarianos como causas determinantes de falta de ar. 
 
Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail: [email protected]
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