02/04/2020

Câncer Ginecológico: exames de rotina e diagnóstico precoce são aliados

iStock

Os cânceres ginecológicos representam um perigo para a saúde da mulher se, não diagnosticados de forma precoce. A incidência é significativa no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que até o fim de 2020 serão registrados 16.590 novos casos de câncer do colo do útero e 6.650 de ovário.

Além do colo do útero e do ovário, o câncer ginecológico também pode se manifestar no endométrio, na vulva e na vagina. Alterações nos órgãos reprodutivos da mulher podem ser avaliadas por meio de exame pélvico feito por um ginecologista.

Os exames preventivos ginecológicos devem ser realizados anualmente desde a primeira relação sexual até o período pós-menopausa, a exemplo do papanicolau, colposcopia, citologia e ultrassonografia transvaginal.

Câncer do colo de útero


O câncer do colo de útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do HPV – a transmissão da infecção ocorre por via sexual. A infecção genital por esse vírus é frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Essas alterações são descobertas facilmente no exame preventivo, o papanicolau, que deve ser feito por todas as mulheres que têm ou já tiveram vida sexual.

Com exceção do câncer de pele não melanoma, é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, ficando atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. Quando diagnosticado na fase inicial, as chances de cura são de 100%. O desenvolvimento da doença é lento; os sintomas como sangramento vaginal, corrimento e dor aparecem em fases mais avançadas da doença. A detecção pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença.

Ovário


Difícil de ser diagnosticado, a maioria dos casos de câncer de ovário só se manifesta em estágio avançado. Na fase inicial, não há sintomas específicos. À medida que o tumor cresce, pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas, náusea, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia e cansaço constante.

De acordo com dados do INCA, são registrados cerca de 6 mil novos casos da doença anualmente, sendo que mais da metade provoca a morte da mulher. As mulheres acima dos 50 anos estão no grupo de risco da doença. Fatores genéticos, ambientais e hormonais têm relação com o desenvolvimento do câncer de ovário. O exame de sangue específico e uma ultrassonografia transvaginal costumam ser usados para indicar a necessidade de uma biópsia, que pode detectar o tumor.

Endométrio


Ele é caracterizado pelo sangramento uterino anormal, principal sintoma que leva as mulheres a procurarem um médico. O sangramento vaginal anormal acontece entre os ciclos menstruais, um fluxo mais intenso que o habitual durante a menstruação e qualquer sangramento vaginal em mulheres que estão na menopausa.

O risco de desenvolvimento aumenta em mulheres com mais de 50 anos. Outros fatores são: Predisposição genética, excesso de gordura corporal, diabetes mellitus, dietas com elevada carga glicêmica, entre outros. Os exames que permitem visualizar o útero e seu interior são utilizados para detectar e diagnosticar o câncer de endométrio, são eles: Ultrassonografia transvaginal, Histeroscopia (visualização do interior do útero por meio de uma câmera introduzida pela vagina) e Biópsia do endométrio.

Vulva e Vagina


As ocorrências de cânceres de vulva e vagina são raras. A mulher deve ficar atenta a anormalidades nessas regiões como feridas, bolhas ou alteração de cor.

O câncer da vulva tem sua grande incidência depois da menopausa. A vulva apresenta lesões consideradas pré-malignas. São lesões brancas, avermelhadas ou cinzentas; sendo as brancas conhecidas como distrofia vulvar crônica, tendo como sintoma principal um prurido intenso, de longa duração e de tratamento difícil, que, com o coçar constante, leva ao surgimento de ulcerações. Somente 10% dessas lesões podem chegar a um câncer de vulva.

O câncer de vagina pode ser causado pelo HPV. Tanto a infecção pelo HPV quanto o câncer do colo do útero ou câncer de vulva aumentam o risco de desenvolver câncer de vagina. Se não for tratado, o câncer de vagina continua crescendo e invade o tecido circundante.

O médico pode suspeitar de câncer de vagina com base nos sintomas, nas áreas anômalas observadas durante um exame pélvico de rotina ou em um resultado de exame de papanicolau alterado.

Mais Notícias